Tuesday, December 16, 2008

Contra-senso

De um lado o governo corta impostos, conclama empresários a baixar os preços e a população a consumir para enfrentar essa crise que afeta a economia mundial. O presidente discursa uma ladainha infantil - mas lógica! - de que: se não houver consumo, não haverá venda, não haverá produção e virá o desemprego e a recessão.

A mensagem para mim é clara: é preciso consumir para manter a economia ativa afastando o risco iminente da crise do mercado. Entendi errado? Ou é esse mesmo o conteúdo da mensagem? Se entendi da forma correta, como é possível entender essa política de manutenção dos juros do Comite de Política Monetário do Banco Central?

Num dia em que os EUA anunciam uma taxa anual de 0,25% (é isso mesmo! zero ponto vinte e cinco por cento ao ano!), nosso país continua com uma taxa de 13,75% ano ano, acho que a maio taxa de juros do mundo e com o propósito declarado de conter o consumo?!?!?!

Vocês conhecem aquela imagem dos dois burros amarrados que tentam comer capim um na direção oposta do outro? Pois é, enquanto o governo concede incentivos para aumentar o consumo, o Banco Central mantém esses juros absurdos para conter o consumo. Alguém entende esse tipo de política monetária "experta"?

Espertos são esses que continuam alimentando a pão-de-ló o sistema financeiro nacional à custa dos impostos do povo. Depois o nosso "esperto povo aprova esse governo com 84%", sabem de uma coisa? Nós merecemos...

Saturday, November 29, 2008

Manada

Leio que a chamada temporada de vendas de final de ano nos Eua  - com várias ofertas de liquidação a preços baixos - provocou a morte de um funcionário de uma das lojas, atropelado pela multidão que aguardava a abertura do comércio.

Sempre que leio uma notícia desse tipo não posso deixar de lembrar da frase atribuída ao gênio Albert Einstein: "Existem apenas duas coisas infinitas - o Universo e a estupidez humana. E não tenho tanta certeza quanto ao Universo." 

Tuesday, November 11, 2008

Evolução

Estou evoluindo. Os sinais são tênues, quase imperceptíveis. Mas, em se tratando de mim, são marcos que não podem ser ignorados, detalhes importantes na trilha evolucionista da minha personalidade. Só quem me conhece há milênios é capaz de julgar a importância do fato.

Pequenos atos banais, coisas que passariam despercebidos na vida das chamadas pessoas normais. O último deles foi a troca da caneca em que tomo o meu café. Uma tradição secular, veja que era praticamente impossível me enquadrar numa foto em que não aparecessa ela, a velha caneca azul.

Um azul histórico, do tempo em que ela ainda era azul. Agora já era uma cor soviética, russa, uma mistura de tonalidades sem registro em nenhuma tabela dos matizes conhecidos. Pior, ela não tinha a nobreza e a eternidade das cerâmicas, era de plástico, revestida desse material sobre alguma coisa que lhe conferia a propriedade de ser térmica.

E isso ela sempre manteve, alterou a cor, é verdade, mas sempre se manteve térmica, quente. Uma longa sucessão de dolorosas queimaduras na língua comprovam o fato. Ela nunca negou fogo, literalmente. Pois hoje, depois de muito considerar sob a permanência ou não da velha russa ao meu lado, com uma dor no coração, finalmente me divorciei dela.

Nunca mais seremos vistos num mesmo enquadramento. Nem sei qual o destino que a velha caneca terá nesse mundo descartável de plásticos indestrutíveis. Talvez vire bebedouro de pardais. Talvez um depósito de lápis e canetas, ou ainda um destino menos nobre, melhor nem pensar. A fila anda... 

Thursday, October 09, 2008

Vamos falar bobagens?

O que parece interessar a grande massa são as bobagens. A turma gosta de fofocas de celebridades, Domingão do Faustão, propaganda de adesivo para dentadura, das Casas Bahia, do Fantástico e de outras preciosidades bem ao gosto nacional. Ah! Esqueci das mulheres salada-de-frutas, do presidente Lula, de dupla caipira, do axé e das mincaretas e outras tretas mais, Chiclete com Banana, Banda Calipso, cd de música de padre, enfim, de toda essa gama maravilhosa que compôe a cultura popular nacional.

Ah, já ia esquecendo dos programas e filmes do Didi e dos trapalhões!

Acrescente a sua dica...

Friday, May 30, 2008

Mas eita!

Eu não gosto de novelas, já vou avisando. Não esperem, pois, que eu demonstre boa vontade para o com o gênero - falo do pior deles, o televisivo. Mas não estou livre delas, como qualquer um que convive com mulher, sou obrigado a conviver com elas - refiro-me, é claro, às novelas - eis que esse é um par indissociável: mulheres e novelas. Como não estou a fim de abrir mão da mulher, aceito o inconveniente, as novelas que vêem junto.

Sei, você vai me contrapor falando no futebol, sinto desapontá-la, mas não faz o meu gênero. Eu não faço parte dessa maioria de fanáticos pelo futebol. Gostava de jogar, do esporte, mas não me agrada ficar só assistindo a uma cambada de marmanjos correndo atrás de uma bola. Afora isso, posso ser considerado um brasileiro normal.

Voltando a falar - e mal - das novelas, já vi muita coisa ruim, da pior espécie, mas o que é essa coisa chamada Duas Caras? Pode haver coisa pior, personagens mais ridículos, história mais boba? Não sei como astros do quilate de um Wilker ou Marília Pera se prestam a pagarem semelhante mico. Sei, sei, é pelo dinheiro.

Wednesday, January 30, 2008

Faz tempo...

Faz muito tempo que não escrevo aqui, ou escrevi pela última vez quando feijão-com-arroz ainda era considerado um prato popular. Hoje, vom o feijão valendo tanto quanto carne de primeira, o prato virou iguaria fina, petisco de fim-de-semana, o preferido nos bufes de churrascaria. - Domingo vou na churrascaria para comer um arroz-com-feijão. Quem diria, heim?

Mudou a classificação do arroz-com-feijão? Não mudei eu, não mudou o blog, continuamos populares. Se não obtive a popularidade - das multidões, e vejo o meu contador de visitantes a indicar a presença do vento e das aranhas por aqui -, ao menos mantive o popular da minha simplicidade.

Ser simples é mandamento obrigatório na vida. Quem complica as coisas acaba por carregar muita bagagem e cansa logo na caminhada. Mas, a contrário senso, não se engane, ser simples é tarefa complexa e que exige esforço, muito controle e uma eterna vigilância.


Tuesday, May 15, 2007

Sonhar Pequeno

Fomos ensinados, amestrados, a sonhar pequeno. Querer muito implica em arriscar igualmente muito. Quem menos arrisca, menos se decepciona. Qual o grande risco de se construir alguns castelos no ar? De que venham algum dia a ruir?

Vamos separar os sonhares. Os sonhares para viver e os viveres para sonhar. Coisas diferentes, com resultados diferentes. Todos precisam em alguma medida dos dois tipos de sonhares. Quem pode viver eternamente do concreto? Alguma abstração ajuda a superar os obstáculos, a tornar mais azul o cinza.

Quem pode viver eternamente do abstrato? A comida, as roupas, a habitação, a saúde são reclamações que a concretude exige para a satisfação da vida. No fim de tudo resulta a sabedoria de sempre: o segredo está no equilíbrio!