Friday, December 01, 2006

Pretenciosos

Nós somos além de tudo pretenciosos: ao contrário do mundo, que já aprendeu e sabe que a única saída são as luzes, o conhecimento, o saber, o estudo, a cultura; nós, os pretenciosos, apostamos no caminho da obscuridade, das poucas luzes, do analfabetismo e do obscurantismo. Nesse nosso estranho saber, achamos, ou pretendemos saber que elegendo e, não contentes com fazermos a burrada, reelegendo um semi-aculturado para o cargo máximo do país, vamos resolver os nossos já eternos problemas, vamos nos tornar um país grande e respeitado por todos.

Eu ouvi de pessoa educada e culta a seguinte máxima: "Já que os doutores não resolveram, agora vamos apostar no torneiro mecânico". Triste, muito triste essa política de apostar no "pior do que está não poderá ficar", pois, meus caros, saibam que não só já ficou como vai piorar. Mais do que isso, muitos tentam defender o indefensável, sabem que qualquer concurso para se tornar um modesto gari exige um nível de conhecimento que o nosso presidente não tem, e ainda assim, querem que acreditemos que estamos face a um novo gênio da humanidade, de alguém "de mãe que nasceu analfabeta", de quem tem "uma preguiça disgramada de ler" e que dispensa o conhecimento e a cultura.

Triste isso, muito triste, defender o indefensável achar que a saída está no obscuro, no iletrado ou, para dizer pouco, defender o atraso, defender a idade das trevas, querer retroceder na caminhada evolutiva. O pior é que tal criatura - pelas próprias deficiências de formação - não tem a capacidade mínima, a capacidade de se saber incapaz de executar a tarefa e segue, tal um ator bufo representando uma peça de mau gosto, onde nós, os espectadores, somos os vitimizados.

Mais grave é qualidade daqueles que são capacitados, daqueles que usam este estratagema para continuar usufruindo as benécies do poder; daquele bando de aproveitadores que se cercam de alguém fraco e despreparado. Fazem um jogo, elogiam cínicamente, enganam-no, tornando-no, aos seus próprios olhos aquilo que ele nunca será: um autêntico estadista. Vis aproveitadores! Sanguessugas! Urubús! Não há pena e nem adjetivo que os qualifiquem! Um povo inteiro pagando o alto preço da suas ganâncias. Ah! Os portais do inferno hão de ser suficientemente grandes ...